Espanha vai enviar militares para Ceuta em meio a chegada de imigrantes marroquinos pelo mar
30/07/2026
(Foto: Reprodução) Migrantes correm e comemoram ao atravessar a pé para o enclave norte-africano de Ceuta, vindos do Marrocos
FARO TV via REUTERS
O governo da Espanha afirmou, nesta quinta-feira (30), que vai mobilizar 60 homens do exército para o exclave de Ceuta, no norte da África, para reforçar a atuação da polícia local. Segundo o comunicado, a intenção é controlar o fluxo de pessoas após um grupo de imigrantes do Marrocos atravessar o mar a nado até o território espanhol.
As forças de segurança locais foram sobrecarregadas com a chegada dos marroquinos nesta manhã, segundo o minstério do Interior espanhol.
"As forças armadas vão reforçar a guarda civil no exercídio de seus poderes e de quaisquer outros se necessário para menter a segurança na cidade de Ceuta", disse o chefe da pasta, Fernando Grande-Marlaska Gómez. Ele deve viajar a cidade autônoma na próxima sexta-feira (31), segundo a Reuters.
No comunicado, o governo espanhol anunciou que vai reforçar a coordenação com o Marrocos para conter a entrada irregular de migrantes. O Ministério atribuiu o aumento do fluxo migratório à atuação de redes de tráfico de pessoas. Segundo a pasta, esses grupos estariam explorando uma decisão judicial para incentivar jovens a tentarem entrar de forma irregular no território espanhol.
➡️ Há três semanas, o Supremo Tribunal da Espanha proibiu a devolução sumária de migrantes interceptados no mar que tentavam nadar até às cidades autónomas de Ceuta e Melilla.
Grande-Marlaska agradeceu às autoridades marroquinas pelos esforços realizados nos últimos dias pelas forças de segurança do país, que, segundo o governo espanhol, impediram milhares de tentativas de migração irregular, afirma a nota.
Milhares de jovens do Marrocos chegaram a nado à costa de Ceuta por volta das 12h do horário local nesta quinta. A multidão se aglomerava no quebra-mar de Tarajal: nadando, flutuando com boias ou a bordo da lancha da Guarda Costeira espanhola, que tentou ajudar. Alguns passaram mal.
Diante do 'mar de pessoas' - todos caminhando juntos e com as roupas molhadas - agentes da Guarda Civil da Espanha desistiram de intervir e só observaram a chegada em massa.
De acordo com a emissora estatal TVE, estima-se que eram entre 2 e 3 mil jovens.
Mais cedo, vídeos postados nas redes sociais já mostrava a multidão andando pela orla e comemorando a entrada após a liberação da fronteira. (veja abaixo).
Alguns dos migrantes gritaram "Viva a Espanha" ao entrarem no território.
Crise migratória na cidade começou na semana passada
Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha situada em território africano em frente ao Estreito de Gibraltar, que separa os dois países.
Juntamente com Melilla, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África, e ambas vivenciam periodicamente aumentos nas tentativas de travessia por migrantes que buscam chegar à Europa.
Só na última semana, mais de 1,5 mil já haviam chegado a Ceuta, de acordo com as autoridades regionais.
No centro de acolhimento de imigrantes da cidade, nesta quarta-feira (29), mais de 400 pessoas aguardavam para serem admitidas. Todas as 512 vagas já haviam sido preenchidas, além de algumas adicionais.
O prefeito, Juan Jesus Vivas, que havia pedido ao governo do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, para declarar estado de emergência devido à chegada em massa de pessoas, após a 'invasão', solicitou a ajuda do Exército também.
De acordo com a agência de notícias Reuters, o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, viajará a Ceuta nesta sexta-feira (31) para se reunir com autoridades locais e chefes de segurança.
Segundo comunicado do ministério, nesta quinta, Espanha e Marrocos comprometeram-se "a rever e implementar medidas para o retorno imediato de todos aqueles que entraram ilegalmente" na cidade, além de concordarem em "reforçar a coordenação" e os esforços para lidar com a atual crise migratória.
O governo espanhol também afirmou estar coordenando ações entre vários ministérios para reforçar o controle de fronteiras e fornecer assistência humanitária.